alice no pais das maraviilhas

A menina Alice acorda de um pesadelo e pergunta ao pai se ficou maluca. Ele mede sua febre carinhosamente e dá o diagnóstico: sim. “Mas deixe eu te contar um segredo: as melhores pessoas são”.”
Sim,foi uma febre! O novo filme da Disney “Alice no País das Maravilhas” já é uma febre e não há quem não tenha ouvido, lido ou visto algo sobre o filme. Trata-se de uma história cheia de fantasia sobre uma garotinha que ao correr atrás de um coelho cai em um buraco no jardim e vai parar em um outro mundo cheio de perigos e aventuras, fantasia e loucura que cativa a todos os telespectadores de todas as idades.
Mas o que quero abordar hoje com este tema é a loucura explícita e ao mesmo tempo sutil do filme e esta nova versão do diretor Tim Burton foi campeã em deixar isso muito bem claro.
A versão original baseada no livro do escritor Lewis Carroll já é bastante louco pois aborda toda uma fantasia que muitos nem se quer imaginaram nem mesmo as mentes mais criativas, mas com o toque especial do diretor mais louco de hoolywood esta versão veio com a fantasia louca de sempre mas com tons excêntricos e ligérgicos, ou seja, traz uma roupagem que todo mundo olha e fala “que loucura!” e esta afirmação é o grande objetivo final.
Para entender melhor sobre esta fonte de locura dos personagens, vou falar um pouquinho melhor sobre cada um deles:

Alice: é pálida, tem olhos fundos e olheiras escuras, cabelos despenteados, luvas listradas de preto e branco. Nesta versão, não é mais uma criança, mas uma jovem esquisita de 19 anos que não se encaixa em lugar algum. “Ela não se encaixa no mundo nem na idade que tem. Há uma certa tristeza em Alice, e eu me identifico muito com ela “, já afirmou o diretor. Ou seja, não é só o diretor que se identifica com ela, mas grande parte dos telespectadores ou muitos de nós, pois quem de nós nunca se sentiu deslocado e fora do contexto deste mundo? É natural este sentimento e também a necessidade prova da busca constante de aceitação de todos ao redor.

Rainha de Copas: Em seu livro, Carroll teve o cuidado de relacionar os símbolos das cartas de baralho com sua função na sociedade. As cartas de espadas (que no inglês são “spades”, que significa “pá”) são jardineiros. As de paus, que no inglês é sinônimo de “porrete”, são soldados. As de ouro são membros da corte e as de copas (no inglês “coração”) são as crianças reais. Seguindo essa lógica, a rainha de “coração”, explicou Carroll mais tarde, “é a incorporação da paixão desgovernada”. Ou seja, da intensidade, da emoção, da impulsividade “cortem-lhe as cabeças!” e quem age pelo coração sabe que há esse impulso pela resolução dos problemas com uma simples ordem e na socidade não é diferente.

Chapeleiro Maluco: Enquanto Johnny Depp desenvolvia seu personagem, descobriu que os chapeleiros da época normalmente sofriam de envenenamento por mercúrio. A cola que eles usavam para fazer cartolas tinha um alto teor da substância – e o efeito de deixá-los lelés da cuca. Depp achou que todo o corpo do personagem devia estar afetado pelo mercúrio, não só sua mente, e, por essa razão, o Chapeleiro ganhou cabelos cor de laranja.
Isso explica o porque do “maluco” pois estavam sob efeitos entorpecentes, mas a subjetividade do filme afirma que ser maluco neste caso é ser o melhor, acima da sobriedade chata e sem graça, tanto é que o personagem acaba em muitas vezes roubando a cena da personagem principal deixando a margem de que a loucura toma muitas vezes o palco da sobriedade tornando a vida mais engraçada.

O exército da Rainha Branca: Uma das cenas mais ricas em referências do filme é a cena da batalha final. Vale reparar em duas coisas: o chão onde a batalha acontece é uma imitação de um tabuleiro de xadrez e o exército da rainha branca luta com armaduras de peças do jogo. A cena é uma alusão ao jogo de xadrez que, no livro, Alice estaria jogando todo o tempo. No livro, você consegue conferir as ilustrações em que Carroll descreve cada ação de Alice no decorrer da história como movimentos de peças do jogo.

É muito nítida a batalha entre a sanidade e a loucura destacadas no filme, batalha tal que quem lê ou assiste o filme também se coloca em “xeque-mate”, por muitas vezes engraçada e em outras tensa retratando assim a vida real a qual travamos todos os dias, buscando manter o equilíbrio mas ao mesmo tempo em busca das fantasias e sonhos. Tanto o autor do livro quanto o diretor do novo filme deixam escapar características pessoais em seus trabalhos, mostrando subjetivamente o lado humano da loucura e da sanidade e cabe aqui esta reflexão em cima desta fantasia e desta realidade. Que possamos tratar nossas fantasias e sonhos de forma realista mas com pitadas de loucura que não faz mal a ninguém, afinal no maravilhoso mundo da loucura “deixe eu te contar um segredo: as melhores pessoas são!”


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